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Recentes pesquisas apontam que o uso de bebidas alcoólicas por crianças atingiu níveis estarrecedores. Cada vez mais cedo jovens antecipam fases, e em boa parte impulsionados pelos próprios pais. O último levantamento feito pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas), revelou que 50% dos estudantes brasileiros, entre 10 e 12 anos, já consumiram álcool, sendo que desse total, 28% recebeu incentivo dos próprios genitores. Dos jovem entrevistados, internados em clínicas para recuperação de dependentes, 7% admitiu ter consumido bebida alcoólica antes dos 7 anos de idade, e, pasmem, na própria residência. Dos 8 aos 14 anos esse índice supera 40%. Outro dado lamentável, é que 15% da população brasileira tem algum tipo de problema sério com álcool. Infelizmente, algumas famílias não conseguem mais dizer não aos filhos, vivendo, assim, sob a égide da ditadura da criança e do adolescente - filhos mandam e pais obedecem. Na grande maioria das festas de adolescentes, a bebida alcoólica é liberada, mesmo sendo considerado crime pelo Estatuto da Criança. Filhos exigem e pais se curvam. Iniciei o livro "Educando com Amor e Responsabilidade", que escrevi em co-autoria com o médico Dr.Lair Ribeiro, com a seguinte frase, lapidada pelo Rei Salomão: "Instrua a criança no caminho que deve andar e, mesmo depois de crescer, ela não se desviará dele". Portanto, tenho duas dicas importantíssimas ao amigo leitor: 1) Cuidado com a exposição de bebidas alcoólicas dentro de casa. Entendo ser extremamente perigoso manter barzinho no lar, onde geralmente bebidas e copos ficam ao alcance de crianças. A melhor opção é ter poucas garrafas e acondicioná-las em local alto, em móvel trancado com chave. Muita cautela com cervejas na geladeira, pois na sua ausência seu filho poderá se acostumar ao uso frequente. 2) Evite beber na frente de crianças. Geralmente os comentários: "Essa bebida é uma delícia" ou "Como é bom beber, fico mais calmo e tranquilo", são percebidos pelos filhos, que passam a fazer associação positiva entre o prazer e o álcool. Não adianta falar para seu filho que bebida faz mal à saúde, se você ingere álcool na frente dele. Lembre-se que a palavra pode convencer, mas o exemplo arrasta, é muito mais poderoso. O uso exagerado de bebidas em festas e comemorações, dá às crianças a falsa ideia de que o uso de drogas traz alegria e felicidade. 3) Não ofereça bebidas alcoólicas à crianças e adolescentes. A tal da "espuminha da cerveja" ou vinho misturado com refrigerante ou água, podem ser o primeiro passo de uma estória triste de alcoolismo ou dependência de drogas como maconha, cocaína e crack em sua família.

 

Dr. Jorge Lordello

 

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