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No Brasil, inúmeros homicídios, brigas e agressões verbais ocorrem, diariamente, entre pessoas honestas e trabalhadoras, que, na maioria das vezes, sequer se conheciam. É o que apelidei de "desentendimento ocasional", que, em alguns casos, pode ocasionar até a morte de uma das partes. Para o leitor ter uma noção do problema que estou levantando, somente no estado de São Paulo ocorrem, diariamente, cerca de 400 brigas de trânsito entre condutores.  Algumas dessas confusões terminam com mortes estúpidas, totalmente desnecessárias. Gostaria de trazer à baila dois casos recentes, que foram largamente noticiados pela mídia. O empresário Dácio foi com sua irmã a uma padaria no bairro de Santa Cecília/SP. A jovem alega que dias antes havia sido destratada por funcionário de tal estabelecimento. A intenção dos irmãos era saber qual providências a padaria havia tomado com relação ao episódio, ou seja, se haviam demitido o funcionário. O desfecho foi trágico e terminou com a morte do jovem Dácio, que recebeu uma facada, desferida pelo funcionário em questão. O acusado se apresentou à polícia e alegou que agiu em legítima defesa. Outro fato que me chamou a atenção, foi a confusão em que se envolveu o ex-pugilista Maguila, ao tentar entrar com seu veículo no Parque Ecológico do Tietê por um portão de acesso restrito. Três seguranças e Maguila entraram em vias de fato. Na delegacia, os funcionários do parque alegaram que o ex-pugilista iniciou a briga e para se defender eles pegaram um facão. Já Maguila, imputa a eles o início da confusão. Neste momento uma pergunta se faz presente: "Os entreveros narrados poderiam ter sido evitados"? A resposta é SIM. Após presidir centenas de inquéritos policiais versando sobre brigas e até mortes, muitas ocorridas no trânsito, em estacionamentos de shoppings, de lojas, em casas noturnas e, acreditem, em festas familiares, me vem à mente o antigo jargão popular que diz: "Quando um não quer dois não brigam". Na grande maioria dos casos os problemas poderiam ter sido evitados, se pelo menos uma das partes tivesse pedido desculpas, mesmo estando com toda razão. Quando utilizamos nossa principal arma, que é a proatividade, minimizamos riscos a quase zero. Ser proativo é tomar uma atitude antes que aconteça o pior. Costumo dizer, que ao nos depararmos com uma confusão, podemos jogar água ou gasolina no problema. Se os envolvidos decidirem pela gasolina, com certeza o bate boca poderá redundar em assassinato. No entanto, se pelo menos uma das partes usar água, ou seja, achar melhor levar o "desaforo para casa", com certeza o clima ficará mais ameno, os ânimos se acalmarão, a contenda terminará e cada um dos envolvidos seguirá sua vida naturalmente, sem precisar ir ao Distrito Policial ou Necrotério. 

 

Dr. Jorge Lordello

 

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