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Estelionato: crime sem violência Email

Caloteiros, espertalhões, vivaldinos ou simplesmente estelionatários, são alguns dos nomes usados para identificar pessoas que vivem da desgraça alheia. Sempre existiram, mas as modalidades de golpes que praticam, em razão do uso de tecnologias modernas como telefone fixo, celular, internet e sistemas eletrônicos de bancos, têm se multiplicado em progressão geométrica. A palavra estelionato origina-se do latim, stellii, que é nome de uma espécie de lagarto, capaz de mudar de cor para confundir-se com o meio ambiente, ludibriando, assim, seus predadores naturais. Nem os seres humanos mais cultos e experientes estão precavidos o bastante para enfrentar criminosos dessa categoria, que se vestem com a carapuça de cordeiro, e, com fala mansa e hábil, preparam ardil para que a presa lhes entregue seu dinheiro ou objeto de valor. E o pior é que a vítima acredita que está levando algum tipo de vantagem. Somente depois descobre que foi alvo de golpe e muitas tem vergonha de registrar ocorrência policial. Mas quem pensa que isso tem a ver com a evolução da humanidade, engana-se, pois golpes e golpistas povoam a história mundial desde a antiguidade. A prática de fraudes sempre acompanhou a humanidade. Por volta de 500 a.C., os antigos egípcios fraudavam ricos e nobres vendendo múmias falsas de gatos e outros animais para suas cerimônias fúnebres. As múmias fraudadas continham apenas gravetos e algodão; em alguns casos, pedaços de ossos de outros animais. Nas mitologias Grega e Romana, Hermes (ou Mercúrio), considerado o deus dos ladrões e fraudadores, aplicava vários golpes nos demais deuses; por isso, tinha frequentes problemas com Zeus. Ainda no campo mitológico, não podemos deixar de mencionar Loki, um deus dos antigos nórdicos, que fazia todo tipo de trapaças, enlouquecendo os demais deuses. Na África, a mitologia Yoruba, que tem mais de 2000 anos, e da qual derivou o Candomblé brasileiro, inclui entre seus deuses o trapaceiro Eshu. No Brasil, com o crescimento das instituições bancárias, o volume de golpes tem se multiplicado ano a ano. Pessoas desavisadas são convencidas a sacar dinheiro do banco em troca de falsas promessas ou de algum tipo de vantagem financeira. O interessante é que os estelionatários não se valem de força física ou de grave ameaça. Ao contrário, com gentileza e boa lábia eles conseguem envolver suas vítimas em histórias mirabolantes, fazendo-as acreditar que obterão uma boa vantagem com o negócio que lhes estão propondo.

 

Dr. Jorge Lordello

 

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