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Autoridades cariocas buscam meios próprios de defesa que incluem até equipamentos não autorizados Email
Na ânsia por segurança, muitos cariocas têm agido fora da lei. Sem qualquer autorização do Exército, moradores do Rio têm recorrido ao mercado negro de armas não letais para comprar sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e equipamentos que dão choques em bandidos. Autoridades cariocas buscam meios próprios de defesa que incluem até equipamentos não autorizados Outros, não menos ilegais, adquirem este tipo de armamento - considerado de uso restrito - fora do país para utilizá-lo nas ruas da cidade.

Além de burlarem a lei, os usuários de tais dispositivos estão submetidos, na verdade, a riscos ainda maiores. Diretor de segurança da Kroll , empresa de gerenciamento de risco, Vagner D'Angelo explica que, ao perceberem qualquer movimento, os bandidos podem se tornar mais agressivos. "Ele não sabe se o que você está pegando na bolsa é um spray de gás lacrimogêneo ou uma arma. Sua reação será atirar" - adverte Vagner. Para ele, as armas não letais só devem ser utilizadas por profissionais capacitados. As vítimas de assaltos não devem jamais reagir. " Você tem que avisar o bandido de todos os seus movimentos para não assustá-lo - recomenda o especialista."

A designer X., 25 anos, acabou se tornando vítima do que acreditava ser sua arma de defesa. Ao mexer em caixas deixadas no seu apartamento, ela encontrou uma máquina de dar choques comprada pelos pais com muambeiros. Com medo de assaltos, X. passou a andar com a máquina na bolsa. O que ela não imaginava é que teria que usá-la justamente com o namorado que conhecera pela internet. Com o fim da relação, ele passou a ameaçá-la. Um dia, quando invadiu sua casa, X. resolveu usar o aparelho de choques. "A minha surpresa foi que ele simplesmente não funcionou. Eu apertava o botão e a máquina estava morta. Ele arrancou-a da minha mão e bateu em mim. Foi uma briga feia e eu só consegui colocá-lo para fora depois de machucá-lo com uma faca", conta X.

O especialista em segurança Paulo Albuquerque também alerta para o risco do uso de armas não letais. Ele acredita que, se fosse regulamentado e houvesse no país treinamento específico para este tipo de armamento, seu uso poderia ser eficiente na defesa pessoal. "O perigo é que muitas vezes as pessoas querem reagir mas não estão preparadas para usar tais dispositivos" - observa Paulo.

A administradora Fernanda Chaves, 23 anos, também acabou vítima do spray de pimenta que usava no ônibus. Seguindo a orientação de seu pai, ela sempre levava o spray nas mãos, para reagir a qualquer investida de ladrões. Um dia, entretanto, distraiu-se e colocou o frasco no bolso traseiro da calça. Quando sentou, o spray estourou e queimou a perna. "Foi horrível. Além da dor, fiquei sufocada com o ar. Tive que descer do ônibus" - lembra Fernanda, que ainda assim pensa em adquirir outro frasco, o mesmo que certo dia usou dentro de sala de aula para matar umas formigas. "Usei achando que não tinha nada demais, mas ninguém agüentou ficar dentro de sala."

Tais sprays contêm pimenta líquida pressurizada que, espirrada no rosto de um agressor, impede a visão e dificulta a respiração. Os efeitos passam em até 30 minutos.

Vagner alerta, entretanto, que o spray pode provocar reações adversas em pessoas alérgicas e, em alguns casos, provocar o sufocamento. Segundo o especialista, testes feitos nos EUA também comprovaram que os aparelhos de choque podem levar à morte pessoas cardíacas e usuários de marcapasso. "O uso deve ser muito estudado. Pode fazer com que o indivíduo, que a princípio quer se proteger, cometa um homicídio" - ressalta Vagner.

Os aparelhos de choque emitem descargas elétricas de alta voltagem, porém, de baixa amperagem. O efeito é a imobilização do agressor, que fica completamente desnorteado. Existem ainda, entre as armas não letais, bombas de gás lacrimogêneo, aparelhos de choque retráteis e cassetetes elétricos.

Vítima de mais de 10 assaltos e ex-usuária de sprays de pimenta, a estudante Beatrice Neves, 25 anos, desistiu de usar o dispositivo. "Hoje, os bandidos estão muito bem armados. Não teria coragem de sacar um spray de pimenta da bolsa durante um assalto" - admite a estudante.


» Mercado ilícito aumenta os riscos

Considerado de uso restrito, armamento é vendido na internet e pode ser nocivo à saúde.

O caminho até as armas não letais é, na prática, bem mais curto do que o previsto na legislação. O Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados (R-105) do Exército, aprovado por um decreto federal, restringe o uso desses armamentos.

Apesar de o regulamento determinar que tais dispositivos só podem ser utilizados com autorização do Exército, é possível comprá-los sem maiores dificuldades.

Na internet, são incontáveis as ofertas de sprays de pimenta e aparelhos que dão choques em bandidos.

O Jornal do Brasil ligou para o telefone de um destes vendedores que prometeu entregar em casa, pelo correio, o spray de pimenta, vendido por R$ 90. Indagado se era necessário enviar alguma documentação, o vendedor exigiu apenas que fosse feito o pagamento adiantado. "Você pode fazer uma transferência ou emitir um boleto bancário. Quando o depósito for confirmado, enviamos a mercadoria pelo correio e, em dois dias, você recebe em sua casa" - explicou o vendedor, identificado apenas como Marcelo.

O aparelho de choque, segundo ele, estava em falta, mas o fornecedor entregaria na semana seguinte. Para adquirir o aparelho, que funciona com bateria, são necessários apenas R$ 110.

Especialista em armas não letais e diretor comercial da Condor, empresa que produz este tipo de armamento no Brasil, Renato Sheeny admite que há um amplo mercado negro destes dispositivos no país. E alerta: "Isto é extremamente perigoso. Esta é uma tecnologia complexa e as pessoas acabam utilizando produtos que não foram testados, que podem ser prejudiciais à saúde". Sheeny conta que em uma apreensão feita recentemente em São Paulo foi encontrado um spray de pimenta com substância cancerígena. "Infelizmente, a nossa legislação é atrasada neste assunto. Ao proibir as armas não letais, leva as pessoas à ilegalidade" - critica o especialista.

Vagner D'Angelo, da Kroll , acrescenta que falta fiscalização deste tipo de armamento no país. "Não há blitzes para fiscalizar estas armas. Além do mercado ilegal, muita gente traz estes produtos de viagens internacionais, onde seu uso é permitido" - afirma.

O spray de pimenta que a jornalista Laura Cavallieri, 23 anos, carregou por quase um ano na bolsa foi trazido pelo pai dos Estados Unidos. Ela, que morou por seis meses em Nova York, conta que todos os amigos andavam com frascos do produto na cidade. Laura, entretanto, nunca precisou usar o spray para se defender no Rio. "Até tirá-lo da bolsa, destravar e apontar para o bandido, ele podia perceber e a situação ficaria ainda pior. Não sei se faria um bom uso daquilo" - diz Laura.


Jornal do Brasil - 16/05/04 Florença Mazza e Natasha Neri
 

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