Página Inicial arrow Polícia arrow 1961/RJ – O Crime que envolveu a milionária “Dana De Teffé” Homicídio Sem Corpo Ou Desaparecimento?
Quinta-feira - 21 de Outubro de 2021

Segurança da Mulher

Assédio Sexual
Dicas Especiais

Segurança no Trabalho

Incêndio

Segurança da Informação

Espionagem Industrial

Frases do Dr. Lordello

frase4.png

Enquete

Quais as razões para o aumento da criminalidade?
 

Cadastre-se no Portal

Cadastre-se no Portal e receba nossos informativos periodicamente, além de concorrer a livros e convites para palestras.

:




Redes Sociais

Siga-nos no Twitter!
Conecte-se ao Facebook!

Nossos Parceiros

Terras de Gênova
Crimes & Acidentes
Condomínio em Foco
Porto Service
Comunicação Juridica
NR Service
Seguridade
Good Clean
Grupo Vip
Life Condomínios
Grupo Padrão
JSEG Vigilância
Associação Nacional de Agentes de Segurança
ASC Service
Méthodo Gestão Educacional
Grupo Titanium
Lordello Consultoria
Leão Serviços
Pro Security
Avitran
Grupo GP
FL Terceirização
Full
Método Lordello de Treinamento em Segurança
Top Clean
Protecães
QAP Segurança
ATS Terceirização
Wall Service
Ganhe mais visibilidade. Anuncie aqui!

Quem está On-line

Nós temos 1 visitante online
1961/RJ – O Crime que envolveu a milionária “Dana De Teffé” Homicídio Sem Corpo Ou Desaparecimento? Email

Elisa Samudio não foi a primeira mulher no Brasil que desapareceu durante uma viagem e nunca mais voltou. O primeiro caso de desaparecimento de uma linda mulher em nosso país, e que ganhou repercussão nos meios de comunicação, teve como vítima a milionária Dana Edita Fischerova de Teffé, de 48 anos, conhecida pelo amigos como “Dana de Teffé”.

O caso é muito parecido com o ocorrido em 2010, que teve como principal suspeito o ex-goleiro do Flamengo, Bruno.

Dana, nascida na antiga Tchecoslovakia, chegou ao Brasil em abril/1961 e foi morar no bairro de Copacabana/RJ. Em um jantar com a alta sociedade carioca, conheceu o diplomata e corredor de carros Manoel de Teffé, de família abonada financeiramente, por quem se apaixonou. O casamento ocorreu rapidamente, mas durou pouco mais de um ano .

Era o quarto casamento de Dana que naufragava.

Para resolver a papelada da separação, veio a contratar o advogado Leopoldo Heitor Andrade Mendes, que encantado com a beleza da cliente, teria iniciado romance em sigilo, pois era casado.

O advogado convenceu Dana a ir a São Paulo, pois tinha arrumado para ela um posto de representante para a America Latina da empresa Olivetti, famosa pela fabricação de máquinas de escrever.

Os amantes saíram do Rio de Janeiro de carro, exatamente às 22h do dia 29/junho/1961. Depois dessa data ninguém teve mais contato com Dana de Teffé.

 

Dr. Jorge Lordello 

Ela simplesmente sumiu, escafedeu-se, sem deixar notícias ou vestígios.

O advogado Heitor deu as caras dias depois, narrando crime fantasioso envolvendo sua cliente. Ele contou à polícia que ao chegarem em São Paulo, foram a um restaurante, onde teria se aproximado deles um senhor bem vestido, que reconhecera Dana e que conhecia a família dela na Europa. O misterioso homem, que falava idioma não compreendido pelo advogado, contou que a mãe de Dana não havia morrido durante a segunda guerra, como supunha a família, tinha sido encontrada e estava em um asilo na Tchecoslováquia. Dana ficou chocada com a notícia e resolveu embarcar imediatamente para a Europa com intuito de reencontrar sua mãe.

Como tinha bens imóveis e jóias no Rio de Janeiro, deixou procuração para seu advogado, dando-lhe todos os poderes sobre seus bens. Curiosamente, o advogado estava mancando e apresentava ferimentos em uma das pernas. Indagado pela polícia sobre o motivo, contou que fora atingido por fogos de artificio que amigos de seus filhos haviam soltado. A polícia civil fez sua parte e começou a investigar a versão apresentada.

A empresa Olivetti desmentiu que o cargo de representante para a América Latina estivesse vago e também que o nome de Dana tinha sido cogitado para ocupá-lo.

O delegado que presidiu a investigação, também verificou que nas companhias aéreas e na polícia marítima não havia registro da saída da desaparecida do Brasil. O suspeito foi questionado sobre como Dana poderia ter deixado o país se seu passaporte estava entre os documentos reunidos no inquérito. O advogado não deixou por menos e rebateu:

“Ela voltou para a Europa com um passaporte falso”.

Dois meses após o sumiço da cliente, o suspeito Heitor, conhecido no mundo jurídico como “advogado do diabo”, mudou com a esposa e dois filhos para o apartamento de Dana de Teffé. Com a venda de outros bens, ele já havia embolsado, na época, a quando de 25 milhões de cruzeiros da desaparecida.

A polícia, é óbvio, não acreditou na versão fornecida pelo principal suspeito e deteve o advogado em 31/março/1962, 8 meses depois do desaparecimento da socialite estrangeira.

É importante ressaltar, que nenhum vestígio de Dana de Teffé jamais foi encontrado.

O advogado detido resolveu mudar a versão  sobre os fatos, contando que no caminho para São Paulo seu carro apresentou problemas mecânicos e ao parar para verificar o ocorrido foi assaltado por bandidos, e como portava arma de fogo, resolveu reagir, quando se iniciou intensa troca de tiros e assim o marginais recuaram e desistiram do intento criminoso. O problema é que sua cliente havia sido baleada gravemente; num primeiro momento pensou em levá-la para um hospital em Barra do Piraí, no interior fluminense, mas no caminho viu que ela já estava morta. Com medo de ser acusado de assassinato, procurou um amigo para ajudá-lo a esconder o cadáver.

O delegado de polícia perguntou ao suspeito:

Mas quem é essa pessoa que sumiu com o corpo?

O acusado respondeu:

“Não posso trair a confiança de amigo que me ajudou em momento tão difícil”.

O policial retrucou:

“Mas aonde está o cadáver então?”

O suspeito explicou:

“Realmente não sei, somente meu amigo sabe do paradeiro de Dana de Teffé”.

Ou seja, o advogado não contribuiu em nada com seu depoimento e por isso a polícia não encontrou nenhum vestígio do corpo da vítima. O acusado  ainda negou, veementemente, ser amante da cliente e apresentou procuração para cuidar de seus bens.

Em 04/10/62, o advogado logrou êxito em fugir do Estado Maior da Polícia Militar, no Centro do Rio, onde estava detido em cela especial, em razão de sua profissão. Mas a fuga não perdurou por muito tempo, sendo recapturado 10 dias depois, em Mato Grosso.

No ano seguinte foi julgado pelo Tribunal do Júri e seu defensor usou a tese que o cliente teria que ser absolvido, pois não poderia ser condenado por homicídio sem cadáver.

A estratégia não funcionou e ele foi condenado a 35 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado.

Mas uma grande reviravolta no processo estava por vir após cumprir 8 anos de cadeia.

Em novo julgamento, em 1971, foi absolvido.

O ministério público recorreu da sentença, mas novamente veio a absolvição. Uma terceira versão, que ele sustentou até o último dos quatro julgamentos a que foi submetido, dizia que Dana de Teffé havia sido sequestrada por um grupo de cerca de 15 nazistas ou comunistas tchecos. Ele usou as seguintes expressões:  

Eram “homens altos, louros e fortes”.

Em 1974 o Superior Tribunal de Justiça não autorizou a reabertura do processo, como queria o promotor, e o crime de homicídio veio a prescrever em 1981, assim, o advogado não corria mais nenhum risco de ser acusado pela morte da desaparecida.

Em 1999, ao ser entrevistado em programa exibido pela TV Globo, sustentou a tese que “Dana foi sequestrada e levada para fora do Brasil”. O promotor do caso comentou tais declarações:

“Quem conta três verdades, não conta nenhuma”, mas mesmo assim saiu derrotado nos julgamentos e o advogado absolvido pode usufruir dos bens deixados pela cliente famosa.

O “advogado do diabo” ainda se casou duas vezes. Morreu em 2001, com 78 anos, deixando dez filhos e levando para o caixão o paradeiro de Dana Edita Fischerova de Teffé.

Voltando ao caso do sumiço de Elisa Samúdio, acredito que sua genitora não tenha mais esperanças de algum dia poder dar enterro digno à sua querida filha assassinada.

 

< Anterior   Próximo >
 AdvertisementAdvertisement