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Quinta-feira - 21 de Outubro de 2021

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Por que os jurados que condenaram Elize Matsunaga entenderam que o homicídio não foi premeditado? Email

Por que os jurados que condenaram Elize Matsunaga entenderam que o homicídio não foi premeditado?

Entenda os motivos e saiba todos os detalhes do crime e do julgamento 

 

Alegando saudades de parentes, Elize marcou viagem para Chopinzinho, interior do Paraná, entre os dias 17 a 19 de maio/2016. Na verdade, armara arapuca para o marido. Aparentemente deixou-o à vontade no final de semana, mas isso atendia um plano que arquitetara ao contratar, dias antes, pela quantia de R$ 7 mil, o detetive particular Willian Correa de Oliveira para segui-lo.

 

Mas será que a esposa sabia ou desconfiava que o marido a estava traindo?

Tudo foi esclarecido pelo detetive, quando da sua oitiva no Tribunal do Júri, em dez/2016. Ele deixou claro que a cliente já sabia que Marcos estava tendo relacionamento extraconjugal, mas desejava provas materiais da infidelidade, inclusive, insistiu que precisava de imagens da amante.

O experiente profissional da área investigativa tinha todos os informes sobre a rotina do homem a ser perseguido. Teve acesso ao endereço da família, dados dos veículos usados no cotidiano e a rotina de horários.

Logo no primeiro dia após viagem da cliente, o Detetive teve êxito em seu trabalho. Marcos saiu de casa e foi buscar mulher alta, magra, mais jovem que Elise e que, mesmo à noite, usava estiloso óculos escuros. Ela residia em Flat num bairro nobre de São Paulo, o que levantava fortes indícios de ser garota de programa.

O casal dirigiu-se a um gastrobar sofisticado nos Jardins/SP, numa pequena rua de apenas 100 metros, onde se situa também o requintado Hotel Fasano. Entraram no estabelecimento, curtiram boa música, alguns drinks e aproveitaram a penumbra do ambiente para estabelecer postura romântica.

Na saída, enquanto os dois esperavam o manobrista trazer o luxuoso veículo, o Detetive, fazendo uso de mini câmera, conseguiu imagens nítidas do enamorado casal. Em seguida, continuou seu trabalho de monitorar passo a passo do investigado, que nada percebeu, pois estava entretido com a amante. A próxima parada foi em um restaurante de comida japonesa, que quando soube, Elize ficou indignada, pois era frequentado por ela e o marido, sendo que eram amigos do sushiman. Após suave refeição, o ponto final do passeio foi no flat na rua Funchal, Vila Olímpia (zona sul de SP), em que a moça estava hospedada.

Elise ficou sabendo via celular de todos os detalhes em tempo real.

Fato que chamou a atenção dos jurados, é que um dia após ter matado o esposo, Elize Matsunaga dirigiu-se ao escritório do detetive para obter o DVD com as imagens brutais da traição e fez questão de assistir ali mesmo. Em seu depoimento na Justiça, o investigador fez a seguinte revelação:

"Ela chorou muito quando viu a cena da menina. Se portou como uma pessoa que estava mesmo sendo traída".

Peculiaridade e Excentricidades da Vida do Casal

Elize e Marcos moravam com a filha de um ano num tríplex cobertura com 560 m2, em um condomínio da Vila Leopoldina, zona oeste da capital, com piscina dentro do apartamento. Na sala de estar exibiam troféus de caça e penduravam cabeças de animais que haviam abatido. Eles eram praticantes de tiro esportivo e aficionados por armas de fogo. A polícia civil, através de mandado de busca e apreensão, localizou cerca de 30 armas de fogo e brancas, incluindo fuzis e metralhadoras, todas legalizadas e autorizadas para uso de colecionador. O disparo que atingiu a cabeça de Marcos Matsunaga partiu de uma pistola Imbel, calibre 380, arma esta que havia sido presente do falecido para Elize.

LARA, A GAROTA DE PROGRAMA

Ela tinha à época dos fatos 23 anos; foi facilmente localizada pela polícia e teve que contar sobre o “affair” que mantinha com a vítima de homicídio.

Seu nome de batismo é Natália, mas usava o codinome Lara ao exibir anúncio em site de garotas de programa. Coincidentemente, era o mesmo endereço eletrônico que Marcos conheceu Elise.

O primeiro encontro entre Marcos e Lara aconteceu no dia 13.02.2012, no Flat onde residia a garota de programa de luxo. Semanalmente, ele frequentava a residência da moça, sempre às 14h. Depois de alguns encontros, passou a presenteá-la com o preço fechado de R$ 4 mil mensais.                                                                    

Com o tempo, o marido de Elize passou a se interessar cada vez mais pela morena de 23 anos, que disse à polícia que ele mandava “mais de dez mensagens por dia”. As mensagens, segundo ela, eram enviadas inclusive quando Marcos estava em casa. Em tom apaixonado, ele teria dito à amante que há mais de um mês já não dormia no mesmo quarto da esposa; o que era prenúncio que a abandonaria. 

O interesse de marcos pela amante aumentava; com isso ela passou a ter dificuldades para atender outros clientes. Em duas oportunidades ela disse ter viajado com o empresário. Em abril, passaram dois dias em Montevidéu, no Uruguai. No início de maio/2012 , Marcos a levou para conhecer uma fábrica da Yoki, em Marília, no interior de São Paulo. Na indústria, Lara foi apresentada como uma cliente, compradora de amendoins.

Marcos estava realmente envolvido emocionalmente com Lara e resolveu bancar a saída dela do site em que anunciava seus serviços sexuais; conseguindo, assim, total exclusividade. Ficou acertado o pagamento de R$ 27 mil mensais. Não satisfeito, a presenteou com uma caminhonete Mitsubishi Pajero TR-4, o mesmo modelo que havia dado a Elize, avaliado em cerca de 80 mil reais na época.

Depois do acordo, conhecido popularmente como “porteira fechada”, Marcos passou a procurar Lara com mais frequência. Chegou a passar 9 horas seguidas com ela. Logicamente, seus horários ficaram absolutamente comprometidos, principalmente com relação a seu lar. É claro que Elize Matsunaga passou a desconfiar do esposo; através do celular dele, conseguiu evidências das traições. O mais curioso, é que eles se conheceram em 2004, por meio de um site de acompanhantes. Na época, Marcos era casado.  A história estava se repetindo!!!   

Após fornecer ao leitor todo o contexto envolvendo esse triângulo amoroso fatal, é necessário responder a pergunta que encabeçou este artigo:

     O QUE ELIZE MATSUNAGA PRETENDIA AO CONTRATAR DETETIVE PARTICULAR?

A descoberta da amante de alcunha Lara, não foi surpresa para Elize, pois em outras oportunidades já havia descoberto outras infidelidades do marido.

O ponto nevrálgico, é que agora o envolvimento do esposo parecia mais sério, haja vista que ele já havia falado em separação judicial.

Elize foi a última personagem a ser ouvida no Plenário do Tribunal do Júri. Durante 2h20 ela contou sua versão sobre os fatos e logo no início do interrogatório disse enfaticamente:

"Eu não queria matar o Marcos, jamais fiz com crueldade. E se eu estiver mentindo, que Deus me castigue da pior forma possível"

A ré esclareceu que já havia consultado advogada sobre seus direitos e também como deveria proceder em caso de separação. Que não seguiu a orientação da profissional sobre não comentar com o marido quanto as provas arrecadas junto ao detetive particular.

Durante o jantar, no dia do crime, o casal começou a discutir, sendo que Elise acabou contando sobre a contratação do investigador. Marcos teria ficado revoltado e iniciado uma série de humilhações, chamando-a de “vagabunda” e “vaca” e afirmando que a mandaria de volta à cidade de origem, sem a filha, que ficaria com ele. Ela narrou, ainda, ter levado um tapa do marido e disse que se sentiu ameaçada, já que ele caminhava em sua direção e que ele era, fisicamente, muito mais forte que ela.

"Eu estava em um turbilhão de emoções: mágoa, raiva, porque ele falou da minha família”

Após ser agredida fisicamente e humilhada, pegou uma arma que estava na sala e a discussão seguiu até a cozinha.

Elise garantiu que não queria matar o marido:

 “Eu não queria atirar nele. Eu queria calar ele”.

Nesse momento, Elise se emocionou bastante, alternando mágoa, raiva e tristeza.

Questionada pelo Juiz se não poderia ter tomado outra decisão, disse que estava em total desespero:

“Poderia fazer um milhão de coisas. Mas, na hora, eu não raciocinei. Fazia dois dias que não dormia; o detetive me ligava a todo momento. Eu já não raciocinava direito. Estava com o coração na boca”.

Esclareceu que somente no dia seguinte resolveu sumir com o corpo do marido, já sem vida, e o esquartejou para poder tirá-lo do condomínio.

“Eu não podia ligar para minha sogra, pessoa que sempre me tratou com respeito, dizendo, dei um tiro no seu filho”

E para terminar, a acusada pede desculpas:

“Sinto muito pela minha sogra e por todas as pessoas que eu machuquei com esse ato infeliz da minha parte. Minha filha foi o presente mais maravilhoso que Deus me deu, queria pedir perdão para ela”.

CONCLUSÃO

Com suas declarações, Elize Matsunaga deixou claro em seu interrogatório as seguintes mensagens aos jurados:

-Já sabia da nova traição do esposo e pressentia que seu matrimônio estava naufragando.

-Após conversar com sua advogada, resolveu contratar o serviço de detetive particular, com intuito de carrear provas da infidelidade do marido e usar como “arma” em possível ação litigiosa de separação, além de mostrar a familiares e amigos que o culpado pelo fim do casamento era Marcos e não ela.

-Que o marido ficou furioso após saber das provas levantadas pelo detetive, passando a ofender e humilhá-la, sendo que no auge da discussão ofertou-lhe tapa na face.

-O disparo da arma de fogo acabou ocorrendo em decorrência da violenta emoção provocada pela discussão e do clima gerado.

-Ao verificar que havia realmente matado o marido, começou a pensar nas consequências e que não queria ficar longe da filha. Por isso, orquestrou plano para retirar a vítima do local e sumir com as evidências da morte no apartamento.

-O marido era alto e corpulento, portanto, só restou a hipótese de cortá-lo em diversas partes (esquartejamento) e retirar em malas de viagem.

INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO DOS JURADOS

Em razão da votação dos 7 jurados, a Justiça de São Paulo condenou Elize Matsunaga pela morte do marido, Marcos Matsunaga. Ela foi sentenciada a 19 anos e 11 meses de prisão em regime fechado.

A  DEFESA ACREDITA QUE GANHOU  MAS NÃO LEVOU E PROMETE RECURSO

A defesa entende que saiu vitoriosa, pois conseguiu afastar duas qualificadoras que poderiam aumentar a pena em mais 10 anos de prisão. Não entanto, alegou que o Juiz que presidiu o Tribunal do Júri não fixou a pena nos parâmetros corretos, conforme a decisão dos jurados e promete recorrer a fim de pleitear pena menor.

"O juiz subiu demasiadamente essa pena, não refletiu a decisão dos jurados. A dosimetria foi completamente equivocada no nosso entender", disse o advogado de defesa Luciano Santoro.

 "Conseguimos afastar duas qualificadoras em um julgamento difícil. Tenho certeza que o Tribunal vai reformar essa pena."

QUAIS FORAM AS QUALIFICADORAS QUE NÃO VINGARAM?

1) MOTIVO TORPE: a acusação dizia que Elize matou Marcos por vingança e por interesse no seguro de vida. Essa imputação não prosperou. Concluiu-se, portanto, que a maioria dos jurados entendeu que o crime não foi premeditado, ou seja, o homicídio ocorreu por vontade da acusada durante a discussão que teve com o marido, após contar que havia contratado detetive particular, tendo conseguido provas materiais da traição.

2) MEIO CRUEL: a promotoria sustentava que a ré teria começado a esquartejar o marido enquanto ele ainda estava vivo. Essa tese também não prosperou; os jurados entenderam que no momento do esquartejamento Marcos Matsunaga já estava morto em razão do disparo de arma de fogo contra sua cabeça.

A única qualificadora aceita pelo júri foi a que considera a impossibilidade de defesa da vítima, ou seja, que Marcos Matsunaga não teve nenhuma chance de se defender. Concordo, piamente, com essa qualificadora, pois o tiro foi ofertado à curta distância, por ângulo que dá a impressão que a vítima foi pega de surpresa, por isso não tinha como evitar a injusta agressão.

ELIZE PODERÁ TER DIREITO AO REGIME SEMIABERTO EM 2 ANOS

Os advogados de Elize Matsunaga acreditam que ela terá direito a progressão de pena em, no máximo, dois anos, em razão da sentença que recebeu e por ser ré primária, não reincidente, ter bom comportamento na prisão e realizar atividade laboral desde 2012. A lei dos crimes hediondos estipula que a condenada tem direito a progressão de regime com o cumprimento de dois quintos da pena.

Fazendo o cálculo de 2/5 da pena que Elize recebeu, chegamos a 8 anos. A condenada está presa desde junho/2012, portando, faltariam 3 anos e meio para requerer o benefício do regime semiaberto. Tem-se ainda que descontar da pena os dias trabalhados na prisão, a remissão, que pelos cálculos da defesa já perfazem aproximadamente 1 ano e meio.

 

Dr. Jorge Lordello 

 

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