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Segunda-feira - 15 de Agosto de 2022

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Há poucos dias, um telejornal, em seu noticiário policial,  divulgou um assalto onde dois marginais armados, ao tentarem roubar uma motocicleta, acabaram assassinando pai de família de 42 anos de idade. O repórter localizou a esposa e o pai do falecido, que estavam muito abalados com o ocorrido mas não quiseram dar entrevista, pois estavam com “medo”.

Em outro caso, um comerciante mostrava-se revoltado pois sua loja havia sido invadida pela quarta vez. Ele topou dar entrevista, mas fez duas exigências: não quis que aparecesse sua imagem e nem do seu comércio, e insistiu que sua voz deveria ser distorcida, pois temia represálias dos bandidos.

Algumas ocorrências onde criminosos são presos em flagrante, os policiais encontram dificuldades em convencer vítimas a irem à delegacia para registro dos crimes e prisão dos bandidos. Tem gente que alega que o bem subtraído é de pequena monta e que não deseja providências. Outros dizem que estão com pressa, mas a maioria prefere deixar barato, por temer algo pior no futuro.

O problema se agrava quando a vítima tem que ser ouvida no Fórum. Geralmente, o réu é colocado bem próximo da vítima na sala de audiências, e em dado momento, o juiz tem de fazer a seguinte pergunta: “Você reconhece esse rapaz como sendo a pessoa que lhe assaltou?” Muitas vítimas preferem dizer que têm dúvida, e dessa forma, geralmente, o acusado é posto em liberdade e posteriormente absolvido do crime. O medo pode fazer toda diferença nessa hora.

O medo, que tem a tendência de se agravar, cerceia, agride, torna a pessoa menor e frágil. Limita seus horizontes, sua vida seus sonhos. “Depois das 19 horas não saio mais de casa; é muito perigoso”. “Não permito mais meus filhos conversarem na rua, nem de dia”. “Se alguém se aproxima do meu carro no trânsito passo a ter taquicardia”. O medo, real ou imaginário, tem gerado sérios problemas emocionais em milhões de brasileiros, que passaram a sofrer de síndrome do pânico, estresse pós-traumático e até hipertensão.

Podemos fazer a seguinte correlação: se o número de crimes aumenta, na mesma proporção aumentará o sentimento de medo, e por conseguinte, a preocupação e o estresse, que podem redundar em doenças físicas e emocionais.

 

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Dr. Jorge Lordello
 

 

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