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Extorsão via internet; o que fazer? Como proceder? Email

A diferença entre o mundo real e o virtual está cada vez mais tênue. Da mesma forma que as pessoas praticam atividade sexual presencial, muita gente se satisfaz através dos meios digitais de comunicação. É óbvio que por uma câmera de computador ou smartphone não será possível o internauta ser contaminado com doença venérea. Por outro lado, o risco de vírus e, principalmente, de extorsão é bastante grande.

Acompanhe o relato de um jovem que me enviou e-mail desejando solução urgente para os seguintes fatos: 

"Dr. Lordello, uma garota me adicionou no Facebook e começamos a conversar. Ela tinha boa conversa; aos poucos foi me cativando e envolvendo. No terceiro dia de contato, através da câmera do computador do meu quarto, ela começou a me seduzir. Em dado momento, ela apareceu somente de lingerie e foi logo se despindo. Não resisti, fiz o mesmo e, confesso, pratiquei masturbação a pedido dela. O pior aconteceu no dia seguinte, quando ela exibiu vídeo com minhas imagens eróticas, ou seja, ela, de alguma maneira, gravou minha exibição através da câmera. As ameaças começaram. Ela escrevia que já havia feito aquilo várias vezes com homens ingênuos como eu e que poderia divulgar minha lista de parentes e amigos das redes sociais. Para minha surpresa e frustração, a pessoa queria dinheiro. Não suportei a pressão e fiz depósito de R$ 1.500,00. Com isso imaginei que o risco estava sanado. Ledo engano, ela quer mais dinheiro e não sei o que fazer. Por favor, me oriente”.

A presente narrativa mostra o perigo de se exibir na internet para pessoas desconhecidas. Na verdade, o risco existe também nas relações com pessoas que você conhece, pois depois do término de relacionamento, nunca se sabe o que a pessoa ferida ou magoada pode fazer.

Portanto, todo cuidado é pouco.

No caso em tela, o jovem está sendo vítima do crime de extorsão, cuja pena é altíssima; reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

A maioria dos estados brasileiros possui delegacias especializadas em crimes eletrônicos. Em caso de ser vítima de qualquer delito virtual, é importante registrar ocorrência policial para que seja instaurado o competente inquérito policial e o delegado, com autorização judicial, possa rastrear e chegar ao autor do crime.

Não se intimide!

Não tente resolver o problema sozinho.

Jamais confie que pagando o valor desejado o criminoso vai se dar por satisfeito. Na gíria policial, chamamos de “repique” o novo pedido feito pelo bandido virtual depois de a vítima atender a primeira solicitação.

 

 

Dr. Jorge Lordello 

 

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