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Quinta-feira - 24 de Julho de 2014

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Aparência do suspeito de crime pode influenciar no julgamento das pessoas? Email

Uma mulher de 60 anos teve seu relógio Rolex, de ouro branco e cravejado de brilhantes, subtraído em assalto que sofreu no trânsito no bairro do Morumbi/SP. Ela narrou no boletim de ocorrência, que o autor empunhava pistola niquelada, era de cor branca, cabelos loiros encaracolados, tinha olhos azuis e aparentava 20 anos de idade. Dois meses depois, policiais de uma delegacia na periferia de São Paulo prenderam indivíduo com as mesmas características físicas e que portava o tal relógio no pulso. 

A vítima foi intimada para reconhecimento do suspeito. Para espanto do delegado, a mulher não reconheceu o jovem, apesar de corresponder exatamente à descrição que ela dera na ocorrência policial. Ao deixar o distrito, seu advogado, contrariado, comentou com um investigador:

”Na verdade ela reconheceu o rapaz, mas resolveu dar segunda chance a ele, pois tem cara de anjo”.

Estudos feitos pela Universidade de Bath, na Grã-Bretanha, garantem que réu considerado “feio” tem mais chances de ser considerado culpado pelos jurados no Tribunal do Juri.

A jurista Sandie Taylor coordenou pesquisa inédita com quase 100 voluntários, que ouviram, como tendo ocorrido realmente, relato de assalto, mas que era pura ficção criada para atender o estudo. Foram mostradas fotos de 4 suspeitos (a de um branco bonito, de um branco feio, de um negro bonito e de um negro feio). Os participantes tinham que ofertar notas de 0 a 10 quanto a possibilidade de cada um ser o autor do crime. As respostas diferenciavam de acordo com a aparência do suspeito.

Conclusão:

"Réus atraentes são, ao que parece, julgados de forma menos rígida do que réus feios”. Em 1976, na cidade de Búzios/RJ, foi morta uma das mulheres mais bonitas do Brasil, Ângela Diniz, conhecida como “A Pantera de Minas”. O réu era seu marido, Doca Stret, que ostentava fama de playboy e era desejado pelas mulheres em razão de sua aparência física privilegiada. Ele confessou o assassinato.

A necropsia constatou que a vítima foi morta com três tiros no rosto e um na nuca. O brilhante advogado, Evandro Lins e Silva, apelou para  laudos de sanidade mental de Ângela Diniz, que atestavam personalidade neurótica, dependência de sedativos, anorexígenos e maconha.

O acusado, sempre com vestimenta impecável, alegou legítima defesa da honra, por sentir-se traído pela companheira. Declarou aos jurados: “Matei por amor”.

O julgamento aconteceu em 1979 e o defensor soube trabalhar o coração dos jurados, referindo-se a Doca Street como "este mancebo bonito e trabalhador”. À porta do fórum, centenas de mulheres pediam absolvição do belo réu. Por fim, foi absolvido do homicídio doloso!

A promotoria recorreu, e em 1981 foi condenado a 15 anos de prisão. Desde a morte de Daniella Peres, a imprensa passou a cobrir assassinatos que repercutem junto a opinião pública.

Mas por que alguns casos “pegam” na mídia e outros não?

A explicação está nos ingredientes dos personagens do crime. Principalmente, quando a pessoa morta é bela, jovem e cheia de vida. O interessante, é que quando o principal suspeito é considerado “feio”, é comum se ouvir a afirmação:

 “Ele tem cara de bandido”, como se a aparência fosse o principal aspecto para a condenação.

A chacina praticada contra a família de policiais militares, no início de agosto/2013, traz como principal suspeito um menino de 13 anos. Com jeito bonachão, o "Marcelinho" é branco, gordinho, cabelos aloirados e com sorriso tímido. Mesmo a polícia apontando muitas provas e indícios contra ele, a maioria das pessoas não crê em sua culpabilidade.

Seguidor no Facebook enviou-me a seguinte consideração:

 “Muita gente não aceita que o adolescente matou os pais, mas não tem dúvida que foi ele”.

Será que o aspecto bonito do menino e sua condição social não explicam um pouco esse fenômeno?

Será que se o suspeito fosse garoto maltratado, com péssima aparência física e morasse numa favela, teria legião de pessoas o defendendo?

Está levantada a polêmica!

 

 

Dr. Jorge Lordello 

 

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