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Como enfrentar os “Guardadores de Carro”? Email

O amigo leitor já deve ter passado pela seguinte situação ao estacionar veículo na rua: “Senhor, trabalho aqui cuidando dos carros. Pode me deixar R$ 10,00 adiantado que não deixo ninguém mexer”. Os famigerados “guardadores de carros” possuem diversas estratégias para intimidar motoristas a lhes dar dinheiro. Na minha juventude, sempre ouvia a frase: “A rua é pública”. Somente depois descobri que essa afirmação é equivocada, pois nas proximidades de faculdades, estádios de futebol, teatros e locais com grande aglomeração de lojas, as ruas foram loteadas pelos chamados “flanelinhas”. Eles não precisam de revólver e nem faca para subtrair dinheiro daqueles que estacionam carros em seus domínios. A intimidação é subliminar...o medo de ter o automóvel riscado, danificado ou subtraído, faz com que motoristas se rendam a “extorsão” promovida por esses indivíduos, que, autoritariamente, se apresentam como "donos" das vagas. Os “flanelinhas” não emitem nota fiscal, não pagam impostos e nem seguro. Muitos chegam a cobrar até R$ 150,00 durante partidas de final de campeonatos ou shows de bandas internacionais em São Paulo! Se apropriam do trecho da rua, não em razão de usucapião, mas sim diante da inércia do poder público. Situação ainda pior encontramos em áreas de zona azul, pois, além de pagarmos para o município sem nenhum serviço prestado, temos que dar dinheiro também para o “guardador”, ou seja, o motorista paga duas vezes e não recebe nada em troca. No mês de maio a polícia civil, militar e também a prefeitura de São Paulo realizaram diversas operações em conjunto para repreender essa atividade ilegal. Foram mais de 200 “flanelinhas” e, pasmem, a maioria tinha passagem por furto, roubo, receptação e até homicídio. Pouca gente sabe, mas para exercer a função de guardador de carros, é preciso ter registro no Ministério do Trabalho. Sem o registro mencionado, fica caracterizada a infração ao artigo 47 da Lei das Contravenções Penais, que diz: ”Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício. Pena: prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa”. Portanto, amigo leitor, qualquer motorista pode denunciar essa atividade criminosa à polícia, para que esses “malandros” que detém o monopólio das ruas sejam detidos em flagrante!

 

Dr. Jorge Lordello

 

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