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A morte do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), na Favela de Antares, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, baleado com um tiro certeiro de fuzil no peito, gerou surpresa, pois o mesmo trajava colete à prova de balas. Esse tipo de equipamento de segurança foi inventado nos primórdios da história, para proteção contra ataques de animais. Era produzido de couro recoberto com uma resina. Mais tarde, no século XII, surgiram as armaduras de bronze e ferro, usadas pela infantaria em guerras. Chegavam a pesar mais de 50 quilos. No século passado, nos anos 60, foram criados os primeiros coletes à prova de balas. Desde então, a tecnologia avançou muito, deixando o equipamento cada vez mais leve e resistente a munições de grosso calibre. O Instituto Nacional de Justiça, (NIJ), dos EUA, estabeleceu níveis de proteções balística, através das seguintes categorias: I, II-A, II, III-A, III e IV, que são adotados também no Brasil. O Exército controla a fabricação, venda e utilização dos coletes à prova de balas, dividindo esse equipamento em duas categorias: A) Uso permitido (protege contra disparos proferidos por armas curtas, de munição Magnun 44 e calibre 12) B) Uso restrito (protege contra disparos de fuzis calibre 7,72 e 5,56 - Nível III e IV). O painel balístico é formado por fibras sintéticas entrelaçadas, mais resistentes que o aço. A superposição desse tecido ou a quantidade de lâminas, estabelece os níveis de proteção e resistência. Esses materiais de alta tecnologia, conhecidos por Aramida, Kevlar, Spectra Shield, entre outros, são construídos para deformar projéteis, tornando-os menos perfurantes. A energia é dissipada na estrutura do colete, evitando sua penetração. Nenhum objeto rígido, como caneta metálica, crucifixo, jóia etc., deve ser usado embaixo do colete, pois com o impacto do tiro podem se transformar em projéteis secundários e gerar sérias lesões. O colete é afixado no corpo da pessoa através de velcro. Se ficar frouxo tornará o equipamento incomodo. Se apertar demais pode restringir respiração e dificultar mobilidade. O ideal é manter distância de dois dedos para o corpo receber ventilação. Os coletes jamais devem ser deixados expostos ao sol ou umidade. Outro detalhe importante é que o equipamento deve ser inutilizado após o prazo de validade, que costuma ser de 6 anos ou se receber um único disparo de arma de fogo. Pouca gente sabe, mas existe também proteção à prova de balas para glúteos e área pélvica. Para proteção da cabeça temos os chamados capacetes balísticos. Mulheres devem usar coletes com desenho anatômico feminino, que se ajustam à região do busto. Para garantir maior resistência dos coletes, pode ser inserido na região frontal placa de cerâmica especial, que auxilia a dissipar a energia do projétil. O mercado também disponibiliza blazeres à prova de balas, para serem usados sem chamar atenção.

Dr. Jorge Lordello

 

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